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Fighters5 min read

Classificar os pesos-pesados de diferentes eras exige admitir duas coisas ao mesmo tempo

O reinado de Rico Verhoeven é genuinamente dominante e a divisão que ele dominou é mais fraca do que aquela por onde passaram Hoost, Aerts e Schilt. Ambas as afirmações são verdadeiras.

Qualquer tentativa honesta de classificar os pesos-pesados do kickboxing através das eras esbarra em um problema que a maioria das tentativas simplesmente ignora.

Rico Verhoeven deteve o título dos pesos-pesados do GLORY por mais de uma década, algo que ninguém na era do K-1 conseguiu sequer se aproximar. Essa é uma conquista real, alcançada sob um regulamento que pune a passividade: o GLORY desfaz o clinch imediatamente e penaliza a inatividade, impedindo que um peso-pesado apoie, segure o oponente e se recupere. Verhoeven construiu seu jogo em torno de superar adversários cuja força bruta excede a dele, e contra Badr Hari — duas vezes —, isso funcionou exatamente como planejado.

Ao mesmo tempo, o pool de talentos dos pesos-pesados contraiu-se drasticamente após o colapso do K-1, com uma grande parcela dos fisicamente dotados que antes se tornariam kickboxers indo para as artes marciais mistas (MMA). O campo que Verhoeven dominou não é o mesmo por onde passaram Hoost, Aerts, Schilt e Le Banner, e fingir o contrário não é generoso com ele — é apenas impreciso.

O ponto sobre o regulamento corta ambos os lados também. Sob um código que permitia descansar no clinch, várias das vitórias de Verhoeven teriam sido mais disputadas. Sob a regra de passividade do GLORY, algumas das lutas mais lentas dos pesos-pesados na era do K-1 teriam recebido advertências.

A conclusão é insatisfatória, mas correta: as classificações cruzadas entre eras são comparações entre esportes diferentes usando o mesmo nome, e a pergunta útil não é quem vence, mas sim o que as regras de cada era estavam selecionando.