Kyokushin e o compromisso do knockdown
Mas Oyama queria karate de contato total sem luvas, e a única maneira de conseguir isso era proibir socos na cabeça — uma troca que moldou uma geração de kickboxers.
O Kyokushin realizou seu primeiro Torneio Aberto do Japão em 1969, e as regras que utilizava respondiam a um problema difícil. Oyama queria karate disputado em contato total, mas socos de punho nu na cabeça produzem lesões que nenhum circuito de torneios pode absorver. O compromisso: sem luvas, força total e sem golpes de mão na cabeça de forma alguma. Chutes na cabeça permaneceram legais.
O que isso produz é um atleta específico e um pouco estranho. O condicionamento corporal se torna extremo, porque você absorve golpes de corpo com força total durante toda a luta. O movimento da cabeça atrofia, porque por nada foi lançado na sua cabeça com um punho. E o chute na cabeça se torna a principal arma de nocaute, lançado por lutadores que nunca aprenderam a se preocupar com um contra-soco direito.
Essa combinação explica grande parte do que aconteceu quando os lutadores de Kyokushin se mudaram para o kickboxing. Andy Hug trouxe o chute de machado — uma técnica que faz sentido contra oponentes cuja guarda está configurada para chutes redondos. Francisco Filho e Glaube Feitosa trouxeram o mesmo. Todos eles tiveram que aprender a defesa da cabeça em público. O Seidokaikan de Ishii, que fundou o K-1, era ele próprio um desdobramento do Kyokushin; a maior promoção do esporte cresceu diretamente a partir desse compromisso de regras.