Savate: o código que o kickboxing nunca precisou
O boxe francês era um esporte de combate codificado com luvas, categorias de peso e um circuito competitivo muito antes de alguém pensar em combinar karatê com boxe.
O Savate é o fato incômodo em toda história de origem do kickboxing. É uma arte de combate que utiliza mãos e pés, com regras formais, divisões de peso e uma federação nacional, e já praticava tudo isso na França bem antes dos experimentos japoneses e americanos dos anos 1960. Ele não derivou do kickboxing e não precisava disso.
Uma regra o torna permanentemente distinto: o savate é disputado com sapatos, e apenas o sapato pode atacar. Essa única condição reescreve o vocabulário técnico. Não há chutes de canela, porque a canela não é uma superfície legal. As armas são chutes precisos de pé — fouetté com o peito do pé ou a ponta, chassé como um chute lateral ou frontal de impulso, revers com a sola, coup de pied baixo na altura da canela — e são executados a distância com a perna estendida, mais parecidos com esgrima do que com uma cotovelada tailandesa.
O Savate também formalizou a distinção entre assaut, pontuado por precisão com potência contida, e combat, contato total. Essa divisão é a razão pela qual os lutadores franceses que entram no kickboxing tendem a chegar com uma movimentação de pés incomum e ângulos incomuns, e um arsenal de chutes retos que a maioria de seus oponentes nunca treinou para enfrentar. É também por isso que o savate aparece como um outlier no comparador de regras em quase todos os eixos.